PROPÓSITO

INVESTIMENTOS COM PROPÓSITO.

O conjunto de valores do mundo está mudando e os investimentos também; a cada ano, novos investidores se juntam ao movimento de investimento de impacto, combinando o seu retorno financeiro com o impacto social ou ambiental, o que literalmente, fecha a conta.

Propósito se tornou a palavra da vez e é indiscutível que quando existe uma causa por trás de cada produto ou serviço oferecido ao mercado, o sucesso do negócio ganha outra dimensão. Essa ambição para resolver desafios sociais é um fenômeno crescente entre jovens da geração millennial.  Segundo estudos recentes da Deloitte, 73% dos millennials acham que a missão dos negócios não é apenas dar lucro, mas gerar valor positivo para a sociedade. No papel de investidores, 93% acreditam que impacto social é a chave para sua a sua decisão de investimento (U.S. Trust, 2016). Essas constatações indicam uma verdadeira revolução em curso, principalmente quando as instituições financeiras estimam que  as próximas gerações receberá 59 trilhões de dólares para investir e consumir nos próximos 30 anos.(A Golden Age of Philanthropy Still Beckons Havens and Schervish, 2014).

É nesse cenário que a indústria de investimento de impacto cresceu e vem se desenvolvendo. Mas o fenômeno não limita apenas à uma geração, Bill Gates, por exemplo, é um dos grandes entusiastas do movimento ao lado do Justin Rockefeller, fundador da rede The Impact, que reúne algumas das principais famílias norte-americanas para fomentar investimentos responsáveis.. Enxergando o potencial social e financeiro dessa nova cultura de investimento, todas as grandes instituições financeiras do planeta se engajaram no tema. O banco J.P. Morgan, por exemplo, elabora o principal relatório de impacto para o mercado, enquanto o Goldman Sachs adquiriu em 2015 a Imprint Capital, principal advisor de investimento de impacto nos EUA.. 

Agora, o quê define Investimento de Impacto? Diferente da filantropia, são investimentos feitos em empresas, organizações ou fundos com a intenção de gerar impacto ambiental ou social, de forma mensurável, com retorno financeiro aos investidores. A intenção e o comprometimento com a geração e mensuração dos benefícios sociais, além do retorno financeiro, são os protagonistas dessa nova classe de ativos. O ecossistema ainda é jovem no Brasil, mas já conta com investidores extremamente competentes, com centenas de milhões sob gestão e articulação internacional. Entre eles, vale citar a Vox Capital, primeiro fundo de impacto a ser constituído no país e ainda um dos mais atuantes.

A Positive Ventures, investidora da Simplesmente, aporta não apenas capital financeiro em sua primeira investida, mas o que chama de aporte multi capital (financeiro, intelectual e relacional), compartilhando sua rede de mentores e contatos estratégicos, trazendo uma visão externa de mercado, implementando governança e perseguindo próxima aos empreendedores métricas financeiras e de impacto.

Para os planos de crescimento da Simplesmente, a Positive Ventures tem uma visão de ganhar escala através de novas unidades no varejo, o que permite maior proximidade com os clientes e favorece à redução dos valores dos produtos ofertados, uma vez que elimina intermediários. A Sweetgreen, rede de fast-food saudável dos E.U.A, que já levantou um total de US$ 128.6m e passou por 8 rodadas de investimento é um de seus benchmarks, e portanto a investidora convidou Farryn Wainer, VP da marca, para ser uma das mentoras.

Ser mensurável é imprescindível, mas a mensuração ainda é um desafio citado pelos diversos fundos. Certificações externas, como o selo do Sistema B e os índices do GIIRS facilitam o processo. Práticas internas também são relevantes, tais como igualdade de gênero, participação dos funcionários no conselho e práticas de reciclagem. O Sistema B é um movimento global que pretende redefinir o conceito de sucesso nos negócios e identificar empresas que utilizem seu poder de mercado para solucionar algum tema social e ambiental. Criada nos Estados Unidos, com as B Corps, a iniciativa tem o objetivo de apoiar e certificar as empresas que criam produtos e serviços voltados para resolver problemas socioambientais. No Brasil hoje são  72 empresas B certificadas e 16 B Pendings, desde pequenas empresas, até a Natura que recentemente dedicou um evento para falar de empresas B, com presença de seu fundador Guilherme Leal em um bate-papo com Richard Branson. A Positive Ventures já nasceu como um B Pending e está concluindo o processo de certifica, empresas que têm menos de 1 ano de CNPJ e pretende certificar todas as empresas de seu portfolio, além de valorizar empresas B em sua tomada de decisão de investimento.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, são também uma das ferramentas utilizadas como métricas de mensuração pela Positive Ventures. No caso da Simplesmente, o principal foco está no objetivo 3- Saúde de Qualidade, oferecendo uma dieta plant-based integral e orgânica . Além disso a empresa está alinhada com o objetivo a longo prazo n. 11, Cidades e Comunidades Sustentáveis, favorecendo produção orgânica, local e sazonal. Já os objetivos 13-Combate às Mudanças Climáticas, 14- Vida Debaixo da Água e 15- Vida Sobre a Terra são defendidas pela grande missão da marca, à redução do consumo de proteína de origem animal. A alimentação de origem vegetal é uma solução para esses desafios, uma vez que a indústria da carne emite mais gases de efeito estufa na atmosfera do que qualquer outra indústria. A agropecuária também utiliza mais de 90% da água doce do mundo, além de poluir rios e lençóis freáticos que são fundamentais para a vida na terra e de ser a maior responsável pela desertificação do solo e a destruição do habitat de diversas espécies em extinção. Nos oceanos, anualmente, mais de 15 milhões de metros quadrados de solo marinho são arrastados para fora do mar por redes de pesca industrial, muitos desses animais são descartados sem vida por não terem valor comercial ou por serem impróprios para o consumo humano. A Simplesmente atualmente implementou o #seloeureciclo, criado por outra investida de seu portfolio, que reflete o comprometimento das empresas em cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, garantindo que as indústrias de bens de consumo reciclem pelo menos 22% de suas embalagens e mais do que isso, contribuindo com às cooperativas, que passam a ser remuneradas não apenas pelo material que vendem, mas também pelo serviço que prestam à sociedad, gerando impacto social e ambiental

A Simplesmente decidiu compensar 300%, ou seja, a cada embalagem produzida, eles reciclam uma quantidade de plástico equivalente a 3 embalagens. A força conjunta da sociedade civil mobilizada - exigindo práticas e produtos sustentáveis; do governo - criando condições fiscais e regulatórias para que políticas sustentáveis prosperem; do empreendedorismo - gerando bons negócios e aquecendo a economia e das decisões de investimentos éticas e bem alocadas, são alavancas fundamentais para uma transformação socioambiental.

 

CHARLES PIRIOU